O futuro da saúde será domiciliar, digital e centrado no autocuidado

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“A pergunta sobre o envelhecimento populacional não é se ele é uma possibilidade, mas sim em que velocidade ele está acontecendo.” Foi assim que Martha Oliveira, CEO do grupo Laços Saúde, iniciou sua mentoria no PMA, Programa de Mentoria Avançada do CBEXS, provocando os participantes a enxergarem o tema da longevidade sob uma nova perspectiva. Ao longo da conversa, a médica e especialista em longevidade conduziu uma análise direta sobre o impacto da transição demográfica no Brasil e os caminhos possíveis para a sustentabilidade do sistema de saúde.

Ao ser questionada sobre o que torna o cenário brasileiro particularmente desafiador, ela foi objetiva: “Quando a gente vê que para quadruplicar o envelhecimento a França levou 200 anos, o Reino Unido 160, os Estados Unidos 160… e a gente vai levar 50, pobre, porque eles enriqueceram e a gente não, a gente entende o tamanho do buraco que a gente está.” Para Martha, o problema não é apenas envelhecer, mas envelhecer rápido demais sem ter estruturado modelos assistenciais adequados.

A conversa então avançou para o papel da tecnologia nesse contexto. O hospital continuará sendo o centro do sistema? Para ela, o movimento global já aponta outra direção. “Todas as tecnologias, independentemente de onde estamos, tendem a levar para o lugar que eu mais acredito: o autocuidado.” Segundo Martha, exames domiciliares, sensores ambientais para monitoramento de idosos, telemetria por imagem e inteligência artificial aplicada à triagem não são tendências futuristas, mas respostas concretas à escassez de recursos e à necessidade de escala. “A casa pode ser o ambiente de trabalho, pode ser onde eu estiver. O deslocamento já começou.”

Mas a tecnologia, isoladamente, resolve o problema? A resposta foi clara. “Prescrevo medicamento todo dia. Por que eu não prescrevo autocuidado?” Para a mentora, a sustentabilidade do sistema depende de uma mudança cultural profunda. Autocuidado, em sua visão, não está ligado à estética ou a modismos, mas à preservação da mobilidade, da saúde mental, da funcionalidade e do propósito de vida. “Sem autonomia, ferrou. Não tem gente para cuidar de todo mundo.” A frase, direta, sintetiza a dimensão do desafio.

Outro ponto abordado foi a formação profissional e a cultura de educação continuada. Martha destacou que, em diversos países, revalidações periódicas são obrigatórias, enquanto no Brasil ainda tratamos a atualização como opcional. Para ela, preparar lideranças para o novo cenário exige revisão de mentalidade, integração de dados e planejamento de longo prazo — não apenas ajustes pontuais.

Ao final da mentoria, ficou evidente que o debate não é sobre um futuro distante, mas sobre decisões que precisam ser tomadas agora. Se o mundo já redesenha seus modelos assistenciais diante da longevidade acelerada, o Brasil precisa decidir se liderará essa transformação ou continuará reagindo a ela.

Essa é justamente a proposta do PMA: ampliar repertório, provocar reflexão estratégica e preparar lideranças capazes de enfrentar desafios estruturais com visão sistêmica.

A segunda turma do Programa de Mentoria Avançada do CBEXS está com inscrições abertas. Se você deseja aprofundar discussões de alto nível, ampliar sua visão sobre o futuro da saúde e se preparar para liderar as próximas décadas do setor, este é o momento de fazer parte.

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